Apesar de tudo... - Mônica de Castro e Leonel

Apesar de tudo... - Mônica de Castro e Leonel

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Resumo: Lançamento da Editora Vida e Consciência, "Apesar de Tudo" é daqueles romances que a gente não lê, devora! A história começa em 1987; as irmãs Clementina e Leontina estão voltando da Igreja e encontram um bebê chorando dentro de uma lata de lixo. As duas resolvem levá-lo para a casa de Clementina, no morro do Salgueiro. Enquanto isso, a mãe do garoto, Margarete, é atropelada e morre. Clementina e seu marido Romualdo nunca puderam ter filhos e acabam decidindo adotar a criança, a quem dão o nome de Marcos Wellington.

Marcos Wellington foi fruto de um romance de Margarete com Anderson, filho de seus patrões. A gravidez foi rejeitada pelos avós, que expulsaram Margarete da casa deles, levando-a a viver na rua e embriagar-se. Mesmo após o nascimento do bebê, a família de Anderson - rica e poderosa - continuou rejeitando-os, pois Margarete era "negra e pobre" e Anderson, com apenas 14 anos de idade, nada pôde fazer.

Marcos  foi criado com amor, mas também com muita dificuldade financeira e sob o rigor de uma igreja evangélica que frequentava com a tia e com a mãe. Quando Marcos ainda era pequeno, Romualdo foi embora de casa com outra mulher - o que levou Clementina ao alcoolismo e ao afastamento da Igreja. Marcos precisou parar com os estudos para pedir esmola. Mesmo com tantos problemas, manteve-se fiel aos princípios cristãos, rejeitando inclusive ofertas de entrar para o tráfico de drogas. Com o tempo e com o auxílio de sua mãe desencarnada, do amigo dela, Félix e do mentor de ambos, Clementina parou de beber, arrumou emprego e Marcos pôde voltar a estudar. Logo arrumou um emprego também e passou no vestibular de direito na UERJ, trazendo grande alegria à família. Seu sonho era tirar Clementina e Leontina da  favela.

Na faculdade, Marcos se apaixona por Raquel, uma garota  liberal e espiritualista e passa a viver grandes conflitos devido aos rígidos conceitos de sua igreja. Além disso, o ex-namorado de Raquel (Nélson) não se conforma de ter sido trocado por um "negro, favelado, pé-rapado" e, aliando-se ao irmão de Raquel (Elói), passa a perseguir Marcos na intenção de desmoralizá-lo frente à moça.

Neste ínterim, Bernardete e Graciliano, pais de Anderson - desencarnado por um câncer - contratam um detetive para encontrar o único neto e herdeiro de uma fortuna: Marcos Wellington.

Será que o amor de Marcos e Raquel sobreviverá às diferenças de crença e a perseguição de Nélson e Elói?

Ficha Técnica:
Autor: Mônica de Castro   
Espírito: Leonel
Formato: Brochura  
Paginas: 496

Comentário: Eu gostei muito da história. Os personagens são bem construídos e a temática evangélica foi super bem elaborada.

Marcos Wellington é um genuíno evangélico, que acredita cegamente nas Escrituras Sagradas, citando-as sempre que julga necessário. Sua Tia Leontina também. Entretanto, Marcos se apaixona por uma moça espiritualista e se vê em conflito não só porque Raquel não é de sua religião ( e não pretende se converter), mas também porque - como a maioria das garotas do século XXI - ela não considera o sexo pecaminoso e ambos acabam transando antes do casamento. Pra piorar (pro Marcos Wellington), Raquel não era mais virgem.

Existem trechos muito bacanas mostrando todo o sofrimento do Marcos, dividido entre o amor por Raquel e seus "deveres cristãos". Para levar o namoro adiante, Marcos acaba de afastando da Igreja - o que aumenta ainda mais seus sentimentos de culpa e o medo de não conseguir salvar sua alma no dia do juízo final. Por outro lado, foi a repressão da igreja que afastou Marcos do tráfico de drogas.

É um romance que faz o leitor refletir sobre a necessidade de ainda existirem tantas religiões diferentes na Terra. Apenas senti falta de uma explicação da presente encarnação dos personagem através de encarnações anteriores.

Com relação a diagramação, a fonte é grande, confortável, em um papel de fundo branco e a capa não é dura - o que facilita a leitura em qualquer lugar.

Trecho:
Diálogo entre Marcos e Raquel sobre as Leis Divinas
- No fundo, ainda não estou bem seguro do que estamos fazendo.
- Deixe disso, Marcos. Você já superou este tabu.
- Talvez se você fosse à igreja comigo...
- Está querendo me converter ou é impressão minha?
- Não é nada disso. É que você não tem religião alguma e pensei se não gostaria de conhecer a minha.
-Eu não teria problema, a princípio, em conhecer a sua igreja ou qualquer outra, desde que ninguém queira me converter. (...)
-Você acha minha religião ruim?
-Eu nunca disse isso. Acho que é boa, como todas as outras que pregam o bem e estão tentando ajudar as pessoas a serem melhores. Só que eu não tenho afinidade com ela. Gosto das coisas ocultas, de assuntos esotéricos.
- O pastor diz que isso são coisas satânicas.
- Você vai me desculpar, Marcos, mas acho que o pastor desconhece os estudos espiritualistas. (...)
- Não sei Raquel. É difícil crer que o pastor, um homem estudado e inteligente, esteja enganado.
- E é fácil acreditar que eu, que você ama e conhece, tenho parte com o demônio?
- Não. O que eu temo é que esteja sendo enganada por essas heresias. O diabo encontra meios de iludir os incautos.



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