Um Sopro de Ternura - Marcelo Cezar e Marco Aurélio

Um Sopro de Ternura - Marcelo Cezar e Marco Aurélio

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Nesta obra ditada pelo espírito Marco Aurélio ao médium Marcelo Cezar, iremos conhecer a história de Lilian e Clara, duas irmãs que se veem abandonadas após a morte do pai durante a Revolução de 32. Sozinhas com a madrasta Dinorah, as meninas são forçadas a trabalhar de sol a sol lavando roupas, enquanto Dinorah se prostitui. Num belo dia, Dinorá conhece um rapaz que a pede em casamento, mas como ela iria se livrar das meninas? Resolve então separar as irmãs, enviando Lilian para Santos e Clara para Minas Gerais. Dinorá se muda com Bartolomeu  para o Rio de Janeiro, deixando assim seu passado para trás.

O sumiço das meninas causa comoção entre os vizinhos, especialmente em Carmela - a melhor amiga de Lilian.

O outro núcleo da trama é composto pelos irmãos Valentina e Paulo Renato, ambos herdeiros de uma boa fortuna. Ela vive de promover a arte e ele é um famoso advogado, que conta com o auxílio do jovem Marcos e de Milton.

Clarinha, então com 5 anos de idade, é encontrada por Dorival - motorista do trem onde foi deixada - que juntamente com a esposa resolvem adotar a menina.

Lilian, aos 11 anos de idade, passa por maus momentos em Santos até que conhece Marilda, uma bondosa faxineira que resolve levar a menina de volta para casa. Chegando em São Paulo, Lilian descobre que Dinorá desapareceu, levando toda a mobília de sua antiga casa e que Clarinha havia morrido. Sim, Dinorah trocou a certidão de nascimento da pequena pela de outra criança! E todos passaram a acreditar que Clara estava morta. Como a menina era muito pequena, acabou se esquecendo da irmã e de seu nome, que agora seria Lenita.

A história se passa entre a década de 30 até a de 50. Nas passagens com fatos históricos, encontramos notas de rodapé com referências sobre determinada época.

Ao final, entenderemos a ligações entre os personagens, explicadas à luz da reencarnação.

O tema central do romance é a importância de sermos pessoas melhores, mais carinhosas porém também donas de nosso próprio destino.

O talento de Marco Aurélio e Marcelo Cezar para narrativas em estilo folhetim é inegável. Eles conseguem prender a atenção do leitor, utilizando de um toque de suspense com muita ação e rápido desenrolar da trama.

Um Sopro de Ternura foi lançado em 2009 e reeditado em 2012. Possui 450 páginas, com bonitas gravuras da São Paulo dos anos 30 e letra grande e confortável.



Trecho:
No dia seguinte ao desaparecimento das meninas, os vizinhos já começaram a desconfiar de algo estranho. Um homem de aspecto nada simpático encostou uma caminhonete na porta da casa de Dinorá e, com a ajuda de dois rapazes, em pouco mais de uma hora todos os móveis estavam no interior da caçamba.
Uma vizinha aproximou-se e perguntou:
— Onde estão as meninas?
— Que meninas?
— E Dinorá? perguntou outra.
Edmundo coçou a cabeça.
— Sei lá, dona. Eu sou o homem da mudança.
— Para onde está levando?
— Não é da sua conta.
Ele falou, cuspiu no chão. Entrou na caminhonete e
sumiu na curva.
— Sujeitinho mais desaforado, disse uma.
— Quase cuspiu nos meus sapatos, disse a outra, fazendo cara de nojo.
Maria achegou-se a elas.
— O que foi?
Todas começaram a falar ao mesmo tempo. Maria sentiu até uma tontura, mas conteve-se e
fez sinal com as mãos.
— Uma de cada vez, por favor.
— Esse fulano quase cuspiu nos meus pés. Mal-educado e porco. Sem modos.
— Disse que veio buscar a mudança, ajuntou a outra.
— Mudança? Não estou sabendo de nada...
Um rapaz dobrou a esquina e foi bater no portão. Maria o informou:
— Não tem ninguém aí.
— Como assim?
— Parece que se mudaram.
— Eu vim do hospital.
Maria pensou imediatamente em Clara.
— A menina recebeu alta?
— Alta? Não sei. Não trabalho no hospital, mas presto serviços para a instituição.
— Trouxe a nota para cobrar o sepultamento.
As duas mulheres levaram a mão ao peito. Seguraram-se nos braços de Maria.
— Sepultamento?!
— É o que diz aqui.
— De quem?
O rapazote olhou para o papel.
— Clara Lobato.
As mulheres começaram a gritar histéricas. O rapaz finalizou:
— Pelo que consta, morava aqui.
Maria chegou até ele e pegou o papel. Levou a mão àboca.
— Santo Deus! Clarinha morreu!

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