terça-feira, 25 de agosto de 2015

Treze Almas - Marcelo Cezar e Marco Aurélio

Em 1º de fevereiro de 1974 aconteceu um terrível incêndio no Edifício Joelma, na cidade de São Paulo que provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridas. Dentre os mortos foram encontrados 13 corpos carbonizados dentro de um elevador e até hoje nenhuma dessas treze almas foram identificadas.

Os 13 cadáveres foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina e desde então o local atrai peregrinos que passaram a atribuir supostos milagres às 13 almas do edifício Joelma.

Neste livro o renomado escritor espiritualista Marcelo Cezar, inspirado por seu mentor Marco Aurélio, irá narrar a história de Lina uma das 13 pessoas que desencarnaram dentro do elevador, uma das 13 almas.

O livro começa com o personagem Luís Sérgio, que em seus últimos momentos de vida passa a chamar por um nome desconhecido para sua família: Lina. Logo a seguir, inicia-se um retorno ao passado, mais precisamente no final dos anos 50.

Lina nasceu Durvalina no interior do nordeste, em época de intensa seca. Vivia na mais absoluta miséria. Quando contava com 14 anos, seu pai resolve tentar a sorte em outro Estado. Antes da partida, Lina sonha com Bibiana - sua vizinha recém-desencarnada - que lhe pede que procure e guarde uma pequena jóia de família.

No caminho para a nova vida, a família de Lina se  depara com 2 assaltantes, que matam todos menos Lina. A menina, movida pelo ódio consegue matar Olério e Tenório. Inesperadamente, aparece Aderbal em sua velha caminhonete e lhe oferece carona. Condoído com a situação de Lina resolve levá-la para seu sítio em Téofilo Ottoni, Minas Gerais. Aderbal é casado com Eugênia, que a princípio reluta em ficar com a menina já que havia perdido sua filha Estela recentemente.

Paralela a história de Lina, temos a jovem Melissa que é afilhada de Eugênia e de Aderbal. Melissa mora em Belo Horizonte com a mãe Penha e com o padrasto Jurandir que abusa sexualmente dela. Ao passar as férias na casa dos padrinhos, uma forte amizade começa entre ela e Lina e Melissa acaba contando para a amiga o que Jurandir vinha fazendo a ela.

Além de Melissa e Lina, iremos conhecer a história de Leonor, uma viúva cujo marido perdeu boa parte do dinheiro que tinham com o término dos cassinos. Leonor tem três filhos: Eunice, que há 10 anos está isolada em seu quarto com um grave processo obsessivo; Solange que começou a estudar o espiritismo e com a ajuda de Orlando (dirigente de um centro espírita) conseguem resolver o problema espiritual da irmã; e Daniel, o homem da casa e melhor amigo de Luís Sérgio.

Por necessidade financeira, Leonor e seus filhos se mudam para Teófilo Ottoni e conhecem Neide, uma jovem com uma mediunidade ostensiva que passa a auxiliar todos os personagens da trama.

Entre casamentos, nascimentos e  mortes, a história vai se desenrolando de forma empolgante, muitas vezes num clima de suspense e, aos poucos, o leitor vai descobrindo as ligações entre os diversos personagens até chegarmos ao incêndio do Edifício Joelma.

Ao desencarnar no incêndio, Lina não consegue se adaptar à colônia espiritual.  Cheia de revolta, é levada para seu túmulo. Lá conhece os guardiões João Caveira e Maria Quitéria e passa 38 anos sob a tutela deles, com os quais consegue aprender valiosas lições. Juntos, auxiliam os peregrinos que vão aos túmulos das Treze Almas em busca de milagres.

Conta a lenda que o local onde o edifício Joelma foi construído serviu como um local de castigo aos escravos, entre os séculos XVIII e XIX. Já na década de 40, também ficou conhecido pelo "Crime do Poço" quando um químico conceituado matou a mãe e as irmãs porque elas não aceitavam seu relacionamento com uma enfermeira que não era mais virgem. Ao final deste livro conheceremos as causas de todas essas tragédias.

A narrativa prende a atenção do começo ao fim. São 480 páginas de pura emoção! Foi um dos melhores romances espíritas que já li.

O autor aborda em uma mesma obra vários temas: pedofilia, amor livre, orgulho, problemas de saúde e financeiros, obsessão, lei do retorno, tragédias coletivas e ainda apresenta a ação dos guardiões, conhecidos na Umbanda como Exus e Pombas-Giras.

Para saber mais sobre o incêndio no Edifício Joelma, recomendo:
Sobre os autores:
Trechos:
Clique na imagem para ampliar
 
No plano astral do centro, espíritos de padres, freiras e médicos transitavam por entre pretos-velhos, caboclos e índios. Era um espaço sem preconceitos, que encarnados e desencarnados frequentavam por afinidade e gosto, com o objetivo comum de promover a ampliação de consciências das pessoas, manter equilíbrio emocional e preservar a paz interior (pg 8)
Quando grandes tragédias estão para acontecer, espíritos no astral são informados com tempo necessário para agrupar os envolvidos encarnados no evento. Pouco antes do acontecimento fatídico, espíritos amigos juntam-se para agrupar os que precisam estar naquele momento, naquele lugar, assim como afastar os que não devem estar ali. (pg 421)
Depois que todos os desencarnados de determinada tragédia são encaminhados, o pronto-socorro espiritual é desfeito, e os espíritos voluntários partem para outro trabalho de resgate. E assim seguem, ajudando e socorrendo, uns unindo-se à corrente de Bezerra de Menezes, outros à de Eurípedes Barnaulfo, de Batuíra, de André Luiz e Meimei ou de Santa Clara. (pg 422)
Na cidade astral, Lina estava contente. Tentava entender  e saber o que ocorrera naqueles anos todos que estivera ausente.
- Foram praticamente 40 anos fora, trabalhando, dedicando-me a uma atividade gratificante, que enriqueceu sobremaneira meu espírito e o marcará positivamente pela eternidade.
- Por isso deixamos você lá, aos cuidados de João Caveira e Maria Quitéria - observou Maruska. (pg 462)



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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O livro dos benzimentos brasileiros - Max Sussol

Este livro é uma raridade! Teve apenas 1 edição, de 1995. Segundo consta na contracapa, Max Sussol é professor, parapsicólogo, autor de 65 best sellers. Infelizmente não consegui encontrar outros dados sobre o autor.

O livro traz conceitos sobre benzimentos e benzedores e se baseia em pesquisas feitas por diversos autores. Além da parte teórica, fornece quase 400 páginas com fórmulas e rezas utilizadas em todo o Brasil.

Max Sussol explica o que são benzeduras, considerando a prática como remanescente da medicina-teológica. Classifica as orações utilizadas pelos benzedores em 3 grandes grupos:
  1. As que invocam Deus e a Santíssima Trindade
  2. As que invocam os Santos
  3. As que não contém invocações
Os benzedores, diz, são geralmente pessoas muito simples, com pouco ou nenhum estudo e com muita fé, dedicando-se à prática do benzimento por filantropia. Não são reconhecidos nem pela Igreja Católica e nem pela medicina tradicional, bem como não se consideram detentores de algum poder sobrenatural.

Explica que dentre a clientela dos benzedores, estão pessoas de todas as camadas sociais mas que é na zona rural, devido a dificuldade de acesso á medicina tradicional, que se concentram os maior número de usuários.
 
O quebrando, mau olhado ou olho gordo costuma ser o carro-chefe das benzedeiras. Para explicar - do ponto de vista energético - como as rezas atuam nas pessoas com quebranto, o autor utiliza-se de trechos da obra Mediunidade de Cura, ditada pelo espírito Ramatis ao médium Hercílio Maes:
PERGUNTA: - Ser-vos-ia possível dizer algo sobre o tradicional benzimento do "quebranto" das crianças, o qual é levado a sério em muitos lares brasileiros, embora repudiado como tolice pela ciência acadêmica?
RAMATÍS: - Realmente, a maioria das mãezinhas brasileiras confia no sucesso do benzimento contra o chamado "quebranto", e o responsabilizam pela apatia, sonolência, melancolia, inquietação, tristeza e inapetência dos seus rebentos queridos. Trata-se de perturbações morbígenas, que são atribuídas à projeção de fluidos de inveja, ciúme ou despeito lançados pelas pessoas de "mau-olhado". Aliás, não vos deve ser desconhecido o caso de aves, animais e flores, que se abatem, adoecem e murcham depois que certas criaturas possuidoras de "olhos ruins", os desejam ou invejam.
Embora a Medicina e os cientistas terrenos considerem o "quebranto" uma velha e tola superstição, o certo é que ele exerce-se disciplinado por leis tão lógicas como as que também coordenam o curso e a estabilidade das órbitas eletrônicas no seio dos átomos. Os fluidos etéricos e rnalfazejos projetados pelas criaturas invejosas, ciumentas ou despeitadas podem acumular-se no perispírito indefeso das crianças e chicotear-lhes o duplo etérico, perturbando o funcionamento normal dos "chacras" ou centros de forças etéricas.
O "chakra esplênico", situado à altura do baço, no duplo etérico, responsável pela vitalização e pureza sanguínea, é o centro etérico que mais sofre e se perturba sob os impactos ofensivos dos maus fluidos, pois reduz a entrada do fluxo prânico, e afetando a saúde da criança, ela perde a euforia de viver, ficando triste e melancólica. Restringindo o tom energético do metabolismo etéreo ou magnético vital, o perispírito também é afetado no seu intercâmbio com a carne na sua defensiva natural.
O fenômeno do "quebranto" lembra o que acontece com certas flores tenras e sensíveis, que murcham prematuramente sob as emanações mefíticas dos pântanos. E o benzimento é o processo benfeitor que expurga ou dissolve essa carga fluídica gerada pelo "mau-olhado" sobre a criança, ou mesmo exalada de certas pessoas inconscientes de sua atuação enfermiça sobre os seres e coisas.
O benzedor do quebranto também bombardeia e desintegra a massa de fluidos perniciosos estagnada sobre a criança ou seres afetados desse mal, desimpedindo-lhes a circulação etérica. Embora os sentidos físicos do homem não possam registrar objetivamente o processo terapêutico de eliminação do quebranto, a criança logo se recupera.
O livro contém 416 páginas e, como é um livro com 20 anos, a diagramação não é de boa qualidade e a fonte é muito pequena. Entretanto possui um índice muito bem organizado, o que facilita a busca pelos benzimentos.

Há quem acredite que os benzimentos só podem ser passados oralmente e, de preferência, entre membros de uma mesma família, mas esta ideia já vem mudando e encontramos até cursos online de benzimento. 

Independente de acreditar ou não em benzimentos (eu acredito), o livro é uma obra-prima da cultura nacional.

(clique nas imagens para ampliá-las)




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Verdadeiros Laços - Rose Elizabeth Mello

Lançamento da Editora Vida & Consciência, Verdadeiros Laços traz a história de Maria Clara, Rhanya e Laura, três amigas inseparáveis mas que possuem personalidades muito diferentes. A obra é de autoria de Rose Elizabeth de Mello - que também escreveu o ótimo romance Desafiando o Destino - inspirada por seu mentor Yann.

A história começa com o suicídio de Cesar Bernardi, um empresário bem sucedido casado com Célia e pai de Laura. A família é muito amiga de Fahir e Khadija, pais de Rhanya, e de Eva e Maxim pais de Maria Clara. Todos muito ricos e da alta sociedade, residentes do Jardim Europa.

Com a morte de César, Laura e Célia - além da dor do luto - se veem em situação financeira delicada e precisam se mudar para o bairro Bexiga, passando a viver uma vida bem mais modesta. Khadija e Rhanya, muito apegadas a questões de aparência, acabam se afastando de Célia e Laura por considerarem que elas agora possuem um outro padrão de vida. Mesmo com todas as dificuldades, mãe e filha se unem e iniciam uma nova caminhada.

Hilda, governanta de Eva e Maxim, começa a apresentar um quadro súbito de mal estar e nada é constatado nos exames feitos pelo Dr. Rogério, que a encaminha para um centro espírita. Lá descobrem que César estava tentando se comunicar com a esposa e a filha. Após receberem o recado de César, Laura e Célia passam a ter interesse pelo espiritismo e um amor surge entre o médico e a jovem Laura.

Em uma tradicional festa italiana no bairro Bexiga, Rhanya conhece Gianni por quem se apaixona e é correspondia. O rapaz é chef e está para inaugurar uma cantina especializada em culinária milanesa. Entretanto, a personalidade ambiciosa de Rhanya acaba por atrapalhar o romance e a moça vai embora para os Estados Unidos juntamente com Stuart - um milionário sedutor que lhe promete a vida de rainha que sempre sonhou. Fahir não concorda com a atitude da filha, mas Khadija a apóia; já Gianni fica extremamente decepcionado, passando a se dedicar ainda mais ao restaurante recém-inaugurado.

Maria Clara, após sonhar com o espírito Cristine, começa a frequentar as reuniões mediúnicas na casa de Dona Lindalva e a desenvolver sua mediunidade. Logo conhece Ignácio e começam a namorar.

Tanto Laura quanto Maria Clara se preocupam com o futuro de Rhanya  mal sabem elas do que a amiga tem passado nas mãos de Stuart.

A história é envolvente, daquelas que a gente não consegue parar de ler para saber logo o que irá acontecer na trama. Rhanya é de longe a personagem mais interessante, pois vive um conflito entre o amor verdadeiro por Gianni e o desejo de viver uma vida luxuosa ao lado de Stuart. Se envolve em inúmeros problemas por causa de sua ambição desenfreada. Seu tipo psicológico certamente irá tocar o emocional dos leitores. Apenas senti falta de maiores elucidações quanto à ligação existente entre os personagens, à luz da reencarnação.

A maior lição desta obra é de que não devemos nos apegar aos bens materiais, pois tudo é efêmero, passageiro. A ambição exagerada e a futilidade pode nos trazer sérias consequências. Mais vale um amor sincero ou grandes amizades como foi o caso das três personagens principais.

As lições doutrinárias são apresentadas em vários momentos, especialmente nos diálogos entre Rogério, Laura, Maria Clara, Ignácio e  Dona Lindalva.

O livro possui 454 páginas e uma arte gráfica belíssima.
Trecho:
Ao chegarem na casa de Lindalva, todos já estavam acomodados. Os dois jovens entraram em silêncio e ocuparam duas acdeiras ao fundo do salão.
Ernesto, o palestrante, discorreu por mais de uma hora sobre a responsabilidade do indivíduo pelos desequilíbrios emocionais e energéticos pelos quais passa durante sua existência. Enfatizou a importância das pessoas manterem pensamentos equilibrados e voltados para o bem para que possam atrair sempre energias de luz e amor. Ernesto falou sobre as culpas que um indivíduo carrega e que impedem seu crescimento e a conquistar da felicidade, e também discorreu sobre a importância de perdoar os outros e a si mesmo. (pg 240)
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Aruanda - Robson Pinheiro, pelo espírito Angelo Inácio

Lançado originalmente em 2004, Aruanda é um clássico da literatura espírita. Ditado pelo espírito Ângelo Inácio ao médium Robson Pinheiro, traz importantes revelações sobre o trabalho de Pais Velhos, Caboclos e Exus nos trabalhos espirituais tanto nos terreiros de Umbanda quanto nos centros espíritas. Podemos considerar que Aruanda é uma continuação de Tambores de Angola, o primeiro romance de Robson Pinheiro a tratar do tema.

A obra se inicia com um resumo da história da Umbanda, religião brasileira fundada em 1908 pelo Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas através da mediunidade de Pai Zélio de Moraes.

A seguir, Ângelo Inácio - que foi jornalista e escritor em sua última encarnação -  inicia sua narrativa em formato de romance.  A convite de Euzália (personagem presente em Tambores de Angola), Ângelo irá integrar uma equipe formada por Wallace, Pai João (ou João Cobú) e Silva com o intuito de estudar assuntos relacionados a Umbanda e transmiti-los à Terra através de seus livros.

Destaco aqui o personagem Silva, citado inicialmente na página 59. Pela descrição do autor espiritual me pareceu tratar-se de W.W da Matta e Silva, médium, sacerdote umbandista e fundador da Umbanda Esotérica. Pai Matta, como era conhecido, escreveu diversos livros sobre a Umbanda, sendo Umbanda de todos nós o mais popular.
- Ocorre que alguns de minha família ainda moram lá em baixo - explicou Silva - Além disso, como escrevi algumas obras antes de desencarnar, atingi certa projeção, e isso basta para que as pessoas atribuam a mim mais méritos do que possuo. (...)
- Silva foi um grande tarefeiro, que trabalhou muito para o esclarecimento de nossos irmãos umbandistas.
 Saindo em excursões com o grupo, o autor vai analisando e descrevendo suas experiências. Visita um local em zonas infelizes denominado Oasis da Paz, onde se encontram alojados e em tratamento espíritos que se especializaram em magia negra.  Recebe uma detalhada aula de Pai João sobre os seres elementais e a importância desses irmãos nos trabalhos espirituais. Conhece o Guardião 7 que explica a atuação dos Exus, entidades guardiãs erroneamente confundidas com espíritos do mal.
A aparência é de um militar. Isso mesmo. Ele parece um militar, dos que impõem respeito e inspiram autoridade. É alguém que parece saber com precisão o que deseja e deve fazer. Tudo indica que o espírito que está diante de mim é um perfeito cavalheiro em seus modos, embora tão firme e cheio de decisão. (pg 114)
Goécia, antigoecia, apometria são outros temas abordados nesta obra, que acabei de ler pela terceira vez.

Trata-se de um livro importantíssimo, pois todo o tempo Ângelo Inácio tenta mostrar aos espíritas como é belo o trabalho das entidades que se apresentam na Umbanda, demonstrando ainda que muitas vezes são os mesmo espíritos que se apresentam nos centros espíritas como padres, freiras ou médicos, apenas trocam a roupagem fluídica. Percebo que o principal objetivo desta obra é quebrar o preconceito que existe contra a Umbanda e as religiões de matriz africana.

A linguagem empregada por Ângelo Inácio é minuciosa, de vocabulário rico e expressivo. Na atual edição o livro ganhou uma linda capa e um design mais moderno, com letras grandes e fundo bege claro. Aliás, editar livros com diagramação impecável é uma das especialidades da Casa dos Espíritos Editora.

Trecho:
Espiritismo é espiritismo e disso nenhum de nós duvida, assim como umbanda é
Capa antiga
umbanda e não há como deixar de distinguir as duas coisas. No entanto, a guerra que se faz por aí contra os espíritos que se manifestam como pretos-velhos e caboclos é tão grande que serve apenas para fortalecer o preconceito. Da mesma forma, ninguém ignora que muitas instituições espíritas veneráveis, embora de forma velada,acabaram aceitando a presença desses companheiros desencarnados, como os pais-velhos, pois sabem que a forma exterior não é nada, mas a essência é tudo. Fico aqui pensando e rascunhando meus escritos: será que nossos companheiros de doutrina espírita acham que espírito atrasado só pode ser preto velho? Será que brancos idosos, com olhos azuis e cabelos loiros,acaso não podem ser espíritos obsessores? É necessário voltar para o que ensina Allan Kardec em O Livro dos Médiuns.
Ele esclarece que o espírita, tanto o evocador quanto os médiuns, deve se ocupar mais com a análise do conteúdo da comunicação que com a forma ou o nome com que se manifesta o comunicante; observar o que o espírito diz, sua elevação moral. Todavia, diante de tanto receio com relação a essa tremenda confusão religiosa, o que muitos estão fazendo é exatamente o oposto do recomendado pelo codificador.

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Somos amigos - Juliano Leal de Carvalho e Antônio da Cruz

Somos Amigos é um romance de temática umbandista ditado pelo espírito Antônio da Cruz ao advogado piauiense e dirigente espiritual  Juliano Leal de Carvalho.

Nesta obra encontramos a história de Gustavo, um jovem que vem passando por uma série de dificuldades e que, através de um casal de vizinhos solidários, acaba por conhecer a Umbanda.

A esposa de Gustavo desencarnou recentemente por um câncer uterino e logo após seu filho pequeno Artur recebeu o diagnóstico de Leucemia. Em meio a tanta dor, Gustavo acaba perdendo também o emprego para poder cuidar do filho, já que se via totalmente sozinho no mundo. Mas seus vizinhos Zé dos Anjos e Maria, orientados pela entidade Zé Pelintra, passam a ajudar esta família e acabam por conseguir levar pai e filho ao terreiro de Umbanda que frequentam.

No terreiro dirigido por Mãe Zefa, Gustavo encontra esperanças na recuperação de Artur e, com o passar do tempo, descobre que o menino é médium e que tem uma nobre missão pela frente.

Mãe Zefa incorpora Zé Pelintra, que nesta obra vem na falange das Almas e é este benfeitor que irá cuidar da cura de Artur e do seu desenvolvimento mediúnico. É por indicação de Sr. Zé que Gustavo procura o médico oncologista Dr. Fernando que realizará um transplante de medula no menino.

Em meio a trama, os autores vão mostrando alguns fundamentos da Umbanda e descortinando um pouco do que acontece na contraparte astral de um terreiro.

Ao final, Zé Pelintra irá revelar os motivos de todos os sofrimentos dos personagens e das ligações entre Gustavo e Artur com Zé dos Anjos, Maria, Mãe Zefa e Dr. Fernando.

Ainda hoje não é comum encontrarmos romances neste formato dentro da doutrina umbandista; a maioria dos livros ou são teológicos ou muito fantasiosos. Em Somos Amigos temos uma história baseada na Lei da Causa e Efeito e da reencarnação, utilizando de uma linguagem simples e de fácil entendimento. Trata-se de uma boa opção de leitura aos irmãos umbandistas e simpatizantes. Salve a falange de Zé Pelintra!

Trecho:
- Meu caro amigo, é uma satisfação sua visita a nossa casa, pena o momento não ser dos melhores, mas certamente daqui a alguns será!
- Venho acompanhando a caminhada de vocês já há algum tempo e os filhos da casa tem compartilhado comigo as aflições pelas quais tem passado, meu filho...
- Hoje, vamos iniciar uma caminhada que não será das mais fáceis, mas será vitoriosa.
- Meu nome é Zé Pelintra, trabalho na linha das almas, auxiliando quem está desencarnando, está desencarnado recentemente ou há algum tempo, porém, ainda sem encontrar o caminho da liz, muitas vezes por recusa em se desligar do mundo material. Porém, também atuo no auxílio aos encarnados, na linha de cura, auxiliando os tratamentos das mais diversas doenças.
- Sei, desde que iniciei os trabalhos nesta casa, que sua chegada já estava prevista e que se daria pelas mãos destes nobres amigos porque o destino desta casa e de vocês estão entrelaçados. (pg 73)
O livro "Somos Amigos" está disponível para venda no site Quitanda dos Orixás. Clique aqui para adquirir o seu exemplar. Acesse também a página no Facebook.

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